Sou do Alentejo, desse Alentejo que não tem lugar e fronteiras definidas. Desse Alentejo que trazemos dentro. Podíamos ter nascido noutro lugar qualquer e ser mesmo assim deste Alentejo.
Hoje Fronteira, terra que me viu nascer, comemora a vitória de 1384 sobre os castelhanos. A batalha dos Atoleiros reforçou a independência de Portugal sobre Castela. Hoje volvidos 625 anos o Alentejo de fronteiras definidas é uma das regiões da Europa comunitária mais reprimida economicamente. Uma população cada vez mais idosa, a fuga dos jovens para centros com outras oportunidades e uma dependência quase total para a administração são factores preocupantes para uma região que lutou há 625 anos atrás bravamente pela independência nacional. É o resultado de politicas erradas e de obviamente de políticos errados, no mínimo errados.
Do outro lado da fronteira, tem-se assistido a um crescimento a todos os níveis surpreendente. A cidade de Badajoz é hoje um pólo de desenvolvimento e de criação de empresas, sem desvirtuar o valor extremeño. O Alentejo tem produtos e um valor intrínseco quer pela sua gastronomia, pela sua caça, pela sua paisagem ou pela sua arte de bem receber, que podem tornar-se numa região com um grau elevado de excelência. A Extremadura espanhola, é um bom exemplo de como se pode potencializar produtos autóctones conservando o património cultural e histórico.
É possível mais e melhor, mas para isso é preciso coordenação, organização e transparência, vectores nem sempre bem utilizados pelas pessoas que nos últimos anos têm estado á frente das instituições públicas. Passados 625 anos o Alentejo é hoje uma realidade bem afastada do sonho que os alentejanos tiveram, quando conseguiram uma vitória histórica para uma região e para um povo.
Nuno Margalho
(texto escrito e publicado em 06/ABR/2009)
6 de abril de 2010
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2 comentários:
Este poder instalado está apenas interesado em manter a dependência das pessoas, pois isso garante-lhe as vitórias eleitorais. E isso é o mais importante
ò amigo Margalho, mas a Espanha e as nossas Regiões Autónomas têm um poder de gestão sistémica de de competências/verbas/decisões que uma camara não tem. Por isso é que têm evoluído e nós não. E com gente certa ou errada, enquanto não houver regionalização... isto não sai da cepa torta. Com a excepção de Évora e Campo Maior o nosso Alentejo está todo a definhar.
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