
O assassinato da jornalista Anna Politkovskaia, no passado dia 7 de Outubro, mostrou o que todo o mundo sabe, mas que hipocritamente, fingimos não saber. A ditadura na Rússia. Para quem esteve um pouco atento às últimas eleições legislativas na Rússia, pode ver a manipulação descarada por parte de Putin. Este assassinato torna-ss mais dificil, para nós do que para as autoridades russas, pois é o reconhecimento da nossa hipocrisia e negligência perante a ditadura russa. Toda a política externa de qualquer país, toda quaquer simples acção, deve ter sempre a defesa dos direitos humanos e a valorização da dignidade humana como principais valores. Não pode haver dúvidas, receios ou cobardia. Não se pode escolher, entre ditaduras com bombas atómicas e ditaduras sem bombas atómicas. Não se pode ser hipócrita perante o combate da Liberdade.
O assassinato de Anna, não só desnude a Rússia e o restante mundo hipócrita, mas também questiona onde está a legalidade das acções militares. Questiona quem e como traça a linha, entre o que é terrorismo do que não é terrorismo. Ainda hoje soubemos que o governo americano nos mentiu sobre os alegados voos da CIA em território nacional. A prisão de Guantanamo é apenas um outro exemplo. Que designios então move esta guerra. Eu não sou pacifista, mas só luto por valores essenciais à dignidade humana. Não se pode combater o terrorismo com terrorismo. Não se pode lutar por poder, para manter esse poder ridículo, mas por dignidade do ser humano.
Anna foi apenas uma de muitas vítimas de um tempo incerto e mais inseguro, onde a Verdade, mais do que nunca, parece ser dificil de encontrar.
Deixo-vos com duas sugestões: a primeira, é o artigo do expresso, que relata as últimas acções de Anna, com o titulo, “As últimas notas de Anna Politkovskaia” http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=370614
Aqui fica um pequeno trecho do artigo:
“Quando o Ministério Público e os Tribunais trabalham, não para fazerem cumprir as leis e castigar os culpados, mas para cumprirem a encomenda política e as estatísticas da luta antiterrorista que agradam ao Kremlin, as causas criminais são de fácil fabricação.
Vou ser franca: o ódio deles mete-me medo! E isso porque mais cedo ou mais tarde esse ódio vai transbordar. Os torturados voltar-se-ão contra toda a sociedade em vez de se voltarem contra os inspectores que os torturaram. Os casos de "terroristas nomeados" espelham o campo de batalha em que se cruzam frente a frente duas abordagens ideológicas na área da "operação antiterrorista no Norte do Cáucaso". Será que lutamos contra a ilegalidade, uma luta assente na legislação? Ou batemos a "nossa" ilegalidade contra a "deles"?”
A segunda sugestão é um livro: 1984, George Orwell.
Boa semana.





