13 de setembro de 2005

"Estes difíceis Amores"

João Teresa Ribeiro. Concerteza será um desconhecido para vós, como o era para mim, mas a sua história "comoveu-me". Natural de Gáfete, pequena vila do norte-alentejano, foi Presidente da Câmara de Vendas Novas até Abril de 2002. Renunciou ao mandato por "motivos de ordem pessoal e amorosa"... . Este homem, para quem (deduzo das suas palavras) o amor não é motivo de ordem pessoal, abandonou a Câmara Municipal de que era Presidente porque se apaixonou por uma funcionária da autarquia. Não pensou duas vezes: foi viver com ela para Moçambique. Calma, ainda não terminou: regressou de África e, quiçá inspirado pelos Roupa Nova, decidiu candidatar-se à Câmara Municipal do Crato. E, para justificar a renuncia ao anterior mandato exprimiu: "Só quem já morreu é que está livre de lhe suceder o mesmo. Quem tem sentimentos e emoções pode um dia vir a passar por uma situação idêntica". Pois claro, este país anda a dormir: quem começa uma relação amorosa tem que deixar a sua profissão e a cidade onde vive. E como é político vou, inclusivamente, elaborar um projecto-lei e propô-lo na nossa Assembleia da República. Para não me tornar maçador vou só transcrever o art.3º nº2 al.a) do mesmo:
"
Art.3º
(Da suspensão de mandatos)
1 - (...)
2 - O Presidente da Câmara Municipal das autarquias pode, a título excepcional, suspender o seu mandato e fazer-se substituir por tempo indeterminado mantendo a remuneração nos casos seguintes:
a) relação amorosa com funcionário da autarquia, sempre que esta relação se inicie durante e por causa do exercício das suas funções;
(...)
Acredito que só assim o país chega ao nível dos mais desenvolvidos da Europa. Urge a criação de normas excepcionais para os políticos, principalmente para aqueles que colocam o amor à frente de tudo. Estes são os mais próximos de chegar ao Céu no Purgatório.
Já agora, esteve tão pouco tempo em Moçambique!!! O que se terá passado?? Estará na hora de pensar numa nova paixão por uma funcionária e por isso a candidatura a uma nova autarquia?? Se acontecer, um conselho: o destino que está a dar agora é o Quénia!!

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