21 de julho de 2005

apontamentos

6. Não vou pensar como vou começar a escrever, senão acabaria por não escrever nada, não era? Escrevo pelo simples prazer da escrita... por aqueles breves instantes onde a alma se transforma em palavra inacabada. Sem a preocupação de cometer alguma violação às regras de sintaxe ou mesmo um erro mais grosseiro de ortografia, escrevo... pela linha torta da folha virgem (e é nessa folha, ainda imaculada, que se reflecte o nosso pensamento. Assim que desenhamos o nosso universo por meio das palavras, perde-se parte da força através das componentes da forma.). As palavras dizem sempre mais do que aquilo que dizem e nunca dizem aquilo que queremos dizer.
Palavras
Sementes de ilusão
Rebentos do sonho

Palavras proibidas
Mas nunca esquecidas

Havemos de ser livres, um dia
Amigo.

Às vezes escreve-se para soltar aquele grito que nos dilacera. Escreve-se na procura daquela Palavra que diz tudo, e dizendo tudo, nada diz. Escreve-se porque há coisas que não se dizem em voz alta. Aqui a voz pode ser alta, baixa, aguda ou grave, horrenda ou deliciosamente bela e tudo em simultâneo numa só, e numa só, multiplicada por todas. Aqui não há voz, e aqui há todas as vozes. Na escrita sentimos o cheiro das coisas que não têm cheiro. Enlouquecemos com o perfume da palavra, sentimos a leveza do cheiro do azul do nascer do dia. Na escrita, também não há cheiros, e é nela onde se encontra a essência do perfume.
Na escrita não se vive. Na escrita não se descobre. Na escrita não se ama. Na escrita não se nasce. Na escrita não se morre. Na escrita nada se diz, e é na escrita onde tudo se diz.

Jano

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